quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dízimo: dogma ou ordenança?

O Dízimo

Um dogma cristão que não se discute é o dogma do dízimo, mas creio que uma reflexão séria sobre este assunto seja relevante.

Abaixo destaco o texto original da Lei mosaica sobre o dízimo:

Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente.
Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher como habitação do seu Nome, para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus.
Mas, se o local for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo Senhor, pelo seu Deus, e não puderem carregar o dízimo, pois o local escolhido pelo Senhor para ali pôr o seu Nome é longe demais, troquem o dízimo por prata, e levem a prata ao local que o Senhor, o seu Deus, tiver escolhido.
Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus.
E nunca se esqueçam dos levitas que vivem em suas cidades, pois eles não possuem propriedade nem herança próprias.
Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos da colheita do terceiro ano e armazene-os em sua própria cidade,
para que os levitas, que não possuem propriedade nem herança, e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade venham comer e saciar-se, e para que o Senhor, o seu Deus, o abençoe em todo o trabalho das suas mãos.

Deuteronômio 14:22-29 (NVI)

A Lei Mosaica mandava separar todo ano o dízimo de tudo que a terra produzisse, e em seguida levar este dízimo para o lugar em que Deus escolhesse para habitação de seu Nome e comer este dízimo neste lugar a fim de assim desenvolver temor ao Senhor.

No caso de o lugar escolhido pelo Senhor ser demasiadamente longe, a Lei permite que se venda este dízimo e se compre o que comer diante do Senhor próximo ao lugar escolhido a fim de cumprir assim a ordenança.

É justo observar que o dízimo não se trata de dinheiro, e também não é cobrado de todos.

A Lei é clara quando diz que este dízimo se trata do que a terra produz e das primícias dos animais que se tem, portanto, o dízimo é obrigação apenas de quem tem terras e animais.

A prioridade do dízimo também não é sustento de instituição alguma, e também não traz prejuízo para aqueles que o entregam, mas tem o objetivo de desenvolver o temor do homem ao Senhor.

A Lei diz a seguir que de três em três anos o dízimo tem um outro objetivo, o de sustentar os Levitas, estrangeiros e desamparados (pobres e viúvas).

É importante ressaltar que o dízimo deve aí sustentar os levitas pois eles não possuem neste contexto terras e heranças, mas por conta de sua função são restritos a trabalhar no cuidado do Estado de Israel, dependendo assim da ajuda de custo deste dízimo recolhido de três em três anos para sobreviver.

Não existe nenhuma referência bíblica que aponte dízimo como obrigação de todos, nem mesmo que deva ser usado para sustento de instituição/ igreja.

O Novo Testamento só traz 7 referências a dízimo, e nenhuma delas o coloca como obrigação. Destacarei os textos abaixo:

Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Lucas 18:12

Este versículo trata de um episódio em que Cristo repreende um fariseu por ser hipócrita, nada mais que isto.

A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; Hebreus 7:2

Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. Hebreus 7:4

E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. Hebreus 7:5

E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive. Hebreus 7:8

Estes quatro outros textos tratam da carta de Hebreus, na intenção do apóstolo de corrigir os hebreus (neste contexto judeus convertidos) em sua errônea tentativa de obrigar cristãos a seguir a lei judaica, já que na Lei de Cristo, na Graça, a Lei mosaica já cumpriu o seu papel, e agora estamos sob uma nova aliança.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Mateus 23:23

Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras. Lucas 11:42

Enfim, estes dois últimos versículos também são repreensões de Cristo a fariseus hipócritas. Além destes textos não serem usados na intenção de se formalizar uma ordenança de pagamento de dízimo, quando o dízimo não é repreendido por Cristo, em Lucas 11:42, há dois pontos que creio que devam ser ressaltados. Primeiro, Neste momento ainda Cristo não foi sacrificado, portanto, a Lei Mosaica ainda devia ser obedecida, e segundo, o dízimo que aí Cristo encoraja a pagar continua sendo dízimo do que se produz, e não de dinheiro.

Por que Jesus, em Mateus 6 e 7, quando reforçou 9 dos 10 mandamentos, não citou nada de dízimo? E porque ignora-se que Jesus, como exemplificado em Mateus 25:34-40 se preocupava com a ajuda aos necessitados, e em nada falou sobre dinheiro ou dízimo? Por que Paulo, que tanto se preocupou em doutrinar a igreja, nada disse sobre dízimos e sempre ressaltou o cuidado com os necessitados?

Alguém poderia usar o texto de Mateus 22:16-22 numa tentativa de justificar a cobrança do dízimo, mas o texto não trata de dízimo. O que Jesus ali afirma é que se o judeu usava a moeda do império romano, era lícito pagar imposto a César, mas a adoração não deveria ser dada a César, que se dizia a Deus, e sim ao Verdadeiro Deus que está nos Céus.

Transcrevo este texto abaixo:

E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.
Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?
Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.
E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?

Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.
Mateus 22:16-22

Enfim, se as instituições igrejas sustentam a obrigatoriedade do dízimo do salário, a todos os cristãos, mensalmente, no texto da Lei Mosaica, creio que a aplicação não caiba, pois o dízimo israelita tinha alvo diferente (quem possuía terras), propósito diferente (desenvolver temor ao Senhor, e em segundo lugar sustento de levitas e ajuda a necessitados) e era cobrado em período diferente (ano em ano e de três em três anos).

Ouso dizer que as instituições igrejas carecem de fundamentação bíblica para sustentar este dogma.

Trago dois textos abaixo, das cartas de Paulo à igreja de Corinto, em que ofertas são citadas:

Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.

No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.

E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém.

1 Coríntios 16:1-3

Portanto, tive por coisa necessária exortar estes irmãos, para que primeiro fossem ter convosco, e preparassem de antemão a vossa bênção, já antes anunciada, para que esteja pronta como bênção, e não como avareza.
E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;
Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre.

Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça;
Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus.

Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus.
2 Coríntios 9:5-12

Paulo no primeiro texto ressalta que o que será arrecadado é uma oferta, uma dádiva, portanto um presente para os santos de Jerusalém, e no segundo texto fala de uma oferta que já havia sido anunciada à igreja de Corinto. Por que Paulo ao tratar desta necessidade não cita a lei mosaica do dízimo? Paulo era judeu de nascimento, e a Igreja acabava de nascer. Paulo não apelou para lei mosaica, e não exortou a se “pagar” dízimo, mas apelou para a boa vontade em ofertar para ajudar aos santos. Creio portanto que nos primeiros anos da igreja não se via mais a necessidade do sustento do Estado Judeu, e não havia mais, depois do sacrifício de Cristo, ordenança mosaica de se pagar dízimo, mas permanece o sentimento de amor que nos constrange a ajudar quem realmente precisa.

Alguém poderia dizer que as instituições igrejas precisam deste dízimo para sustento de si e do pastor. Uma coisa é precisar, outra coisa é ser de direito. Se uma instituição igreja precisa, é lícito dizer que precisa, mas não é lícito colocar como obrigação bíblica, porque isto não é. É vergonhoso como o dízimo é colocado não só como obrigação, mas sob a ameaça de que se você não o entregar, será punido por Deus.

Creio que o fundamento do Cristianismo seja a Verdade, e é por esta que devemos lutar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Evangelho

Não conheço quase nada dos populares grupos e cantores gospel, até porque não gosto da maneira que eles encaram música sacra... Mas em meio destes, às vezes encontro algumas letras que entendo que mereçam uma atenção maior... Uma destas, é esta, "O Evangelho", do grupo Logos

O Evangelho
Grupo Logos
Composição: Paulo Cezar
Eu sinto verdadeiro espanto no meu coração
Em constatar que o evangelho já mudou.
Quem ontem era servo agora acha-se Senhor
E diz a Deus como Ele tem que ser ...
Mas o verdadeiro evangelho exalta a Deus
Ele é tão claro como a água que eu bebi
E não se negocia sua essência e poder
Se camuflado a excelência perderá!
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.
O evangelho mostra o homem morto em seu pecar
Sem condições de levantar-se por si só
A menos que, Jesus que é justo, o arranque de onde está
E o justifique, e o apresente ao Pai.
Mostra ainda a justiça de um Deus
Que é bem maior que qualquer força ou ficção
Que não seria injusto se me deixasse perecer
Mas soberano em graça me escolheu
É por isso que não posso me esquecer
Sendo seu servo, não Lhe digo o que fazer
Determinando ou marcando hora para acontecer
O que Sua vontade mostrará.
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O amor

Para descontrair um pouco, tomo a liberdade (o blog é meu mesmo...) para transcrever um soneto que escrevi há seis anos, inspirado em 1 Coríntios 13.

Agape
(Santificado)

Por que insistes que é amor o que me sentes
Se quer-me sempre aprisionado aqui contigo?
O amor não prende, antes canta liberdade
E satisfaz-se por amar a sós consigo

O amor não é verbo conjugado pelos lábios
Antes é fogo que incendeia e não consome
Me aquece a alma por deixar-te em liberdade
Até chamar-me suavemente pelo nome

O amor não pesa e sim retira-me o fardo
De confundi-lo com paixão, amor de tolos
Que se embriagam na luxúria do pecado

O amor não busca os interesses do egoísmo
Antes se entrega de bom grado ao sacrifício
Este é o mistério de um amor santificado.

Jader Ibrahim - 02/06/2004

domingo, 27 de junho de 2010

O que é Igreja


No contexto atual da cultura cristã igreja é encarada como o lugar em que os cristãos vão cultuar a Deus, ou mesmo o templo onde esse culto é feito. Partindo desta idéia, existem inúmeras igrejas e templos em toda parte, cada uma delas tendo certeza que seu templo é a casa de Deus

No entanto, entendo como uma distorção da verdade esta maneira de encarar a igreja de Jesus Cristo. Mas por quê?


As bases de todo o cristianismo estão na Escrituras Sagradas, e não vejo nessas escrituras fundamentos para encarar “igreja” desta maneira.

Na doutrina da igreja primitiva, o termo correspondente ao termo “igreja”, tanto no grego “ekklesia” significa assembléia, reunião, grupo de pessoas. Neste sentido, sempre que nas Escrituras Sagradas alguém se refere à igreja, principalmente Paulo em suas cartas, se refere às pessoas que pertencem ao corpo de Cristo dentro de uma cidade, como vemos em Cartas de Paulo aos Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e Tessalonicenses.

Neste sentido, observamos que a igreja primitiva encarava-se como um grupo, não como uma instituição.

A grande distorção em encarar igreja como instituição está em desviar a atenção do que deve ser cuidado, santificado.

Em Romanos 12:04-05, Paulo exorta que o corpo de Cristo, seja edificado, afirmando que este corpo são pessoas, não uma instituição. Em Efésios 4:04, Paulo reafirma a unidade do corpo de Cristo, sendo este da mesma maneira as pessoas que são a igreja. Creio portanto que devemos nos enxergar como igreja, como corpo de Cristo, e desta maneira, obedecer as determinações de que devemos nos santificar, nos purificar como corpo da cabeça da igreja, que é Cristo.

A visão de que igreja é um lugar ou instituição induz aos cristãos santificar o lugar e a instituição, muitas vezes sendo displicente com o que realmente é a igreja, que é a si, tendo um comportamento no lugar santo, e outro fora dele. Mas se resgatarmos a visão original de que nós somos a igreja de Jesus, nos sentiremos responsáveis por edificar-nos, santificar-nos, e seremos coerentes com a santidade que o Senhor quer de nós, além de (em meu entender) ser o primeiro passo para abandonarmos as divisões que a igreja tem sofrido, a fim de voltarmos à unidade que éramos a princípio. Este é meu sonho, como cristão. Deus seja louvado.

sábado, 18 de julho de 2009

Santidade: uma busca do Cristão

Dos raros adeptos da doutrina da predestinação, observo uma tendência a associar predestinação com irresponsabilidade. "Se o Senhor me escolheu, então posso fazer o que eu quiser, porque sou salvo mesmo..."
No entanto, o Senhor não é irresponsável, muito menos displicente com os seus.
O Apóstolo João aconselha e esclarece de maneira direta como um filho de Deus, um servo do Senhor se comporta.
Transcreverei o texto:
"Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda. Se vocês sabem que ele é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele. Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados Filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro. Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei, de fato, o pecado é a transgreção da Lei. Vocês sabem que ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado. Todo aquele que nele permanece não está no pecado, Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu. Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que pratica o pecado é do Diabo, porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus. Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão." (I João 2:28-29; I João 3:01-10) NVI
Esse texto é lindo, e trás revelações maravilhosas. A primeira revelação de João é o presente que Deus nos deu, o de ser chamados filhos de Deus, o que João disse que de fato somos (ressalto que ele está falando de novos nascidos, não de todo mundo). Depois que João diz essa linda revelação, pela qual devemos ser muito gratos ao Pai, ele diz como se comporta quem é filho de Deus. É uma confusão muito comum cristãos verem as coisas que aqui João diz como CONDIÇÕES para ser filho de Deus, mas a mim me parece que ele não diz essas coisas como condições, mas como consequências. Entendo que quando João diz que quem é filho de Deus se purifica, ele não está usando um imperativo, "purifique-se", mas dizendo o que naturalmente o filho de Deus faz, se purifica. Isto porque o filho de Deus tem a esperança que João falou, a esperança de que quando Cristo se manifestar, este se tornará semelhante a Cristo. Deus seja louvado por isso!!! João afirma também que quem é filho de Deus não pratica o pecado, isto entendo como tendência, no sentido de que quem é filho de Deus não busca o pecar, não tem o pecado como regra de sua existência, mas como fruto de suas falhas. De fato, entendo que a grande mensagem de João é esta: Quem é filho de Deus pratica a justiça, se torna semelhante a Ele, se purifica, porque se alguém assim o declarar, e não agir dessa maneira, é porque não é filho de Deus, pois o filho se parece com o Pai, e se este filho se parece com outro pai, é porque não é filho do primeiro.
Enfim, é importante dizer que a vida de santificação, a busca pela purificação, os atos de justiça são praticados pelos filhos de Deus, não como condição para ser salvo, não como uma busca pela salvação, mas como consequência da salvação que este recebeu do Pai, da qual não tem dúvidas, mas é muito grato. Que Deus abençoe a todos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

E o livre arbítrio, onde fica?

O que irei dizer agora é bem polêmico. A grande e esmagadora parcela de cristãos que conheço são adeptos do que chamo de doutrina do livre arbítrio, e qualquer visão contrária a essa posição é tratada como heresia.
Espero a paciência do leitor, mesmo se adepto da doutrina do livre arbítrio, para ler tudo o que tenho a dizer. Se não concordar, respeitosamente desejo que simplesmente ignore, é direito do leitor. Minha intenção aqui é dizer o que penso, não "fazer discípulos...".
Começando.
Não vejo na Bíblia Sagrada qualquer texto, mesmo versículo, que fundamente a doutrina do livre arbítrio. O que se usa muito é textos descontextualizados e distorções de interpretação para se fundamentar tal doutrina, que diga-se de passagem surgiu da autoria de um certo santo filósofo católico.
Para fundamentar minha afirmação transcrevo o seguinte texto:

"Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão. Pois foi assim que a promessa foi feita: 'No tempo devido virei novamente, e Sara terá um filho'. E esse não foi o único caso: também os filhos de Rebeca tiveram um mesmo pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem, ou fizessem qualquer coisa boa ou má - a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama - foi dito a ela: 'o mais velho servirá ao mais novo'. Como está escrito: 'Amei Jacó, mas rejeitei Esaú'. E então que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: 'Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão'. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus. Pois a Escritura diz ao faraó: 'Eu o levantei exatamente com este propósito: mostrar em você o meu poder, e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra'. Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer. Mas algum de vocês me dirá: 'Então por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?' Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: 'Por que me fizeste assim?' O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Carta de Paulo aos Romanos 9: 8-24). NVI
O texto é pesado, sim, mas também é claro. Esta declaração de Paulo deixa evidente a soberania de Deus. Paulo deixa claro que Deus escolhe os seus, segundo Seu arbítrio, não um arbítrio humano, como no versículo 16 que afirma veementemente que não é por desejo ou esforço humano a escolha de Deus, mas por misericórdia dEle.
Não apenas esse texto, mas toda a Escritura Sagrada põe a autoridade de decisão na mão de Deus, apresentando-o como Soberano e Senhor de todas as decisões. Esta tendência das Escrituras, fundamentada principalmente nesta declaração de Paulo, bate de frente com qualquer tendência do livre arbítrio. Mais uma vez me parece claro que é a misericórdia de Deus que salva, segundo os desígnios do Senhor, nos critérios misteriosos do Mestre, para a Sua glória, não a nossa.
Voltaremos ao assunto, e que Deus abençoe a todos.

Pecador. E agora? Pra ser salvo, como fazer?

Na cultura evangélica contemporânea é dito que pra se ser salvo é necessário "aceitar a Jesus como salvador e Senhor", num entendimento de que a salvação vem por uma convicção intelectual. Há também vertentes que entendem que a salvação se consegue por boas obras, ou por deixar de fazer coisas que são pecado.
Entendo que ninguém é mais apropriado pra falar sobre Salvação que o próprio Jesus, portanto, tomarei como texto básico da explanação o texto do capítulo 3 do Evangelho de João. Aconselho que antes das declarações seguintes o leitor interessado leia o texto, do versículo 1 ao versículo 21, ou seja João 3:1-21.
Entendo que a parte mais importante da declaração do Messias seja a afirmação de que nascendo de novo é que se obtém o Reino de Deus, ou seja, que se alcance a salvação. O meio evangélico centra a salvação no crer em Jesus. Evidentemente que quem é cristão crê em Jesus, e é evidente quem não crer em Jesus, não é salvo. Entretanto, entendo que a salvação não vem pelo crer, mas o crer vem pela salvação. Um outro texto vejo como importante para reafirmar esta declaração: "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. (Carta de Paulo aos Efésios 2:8-10) NVI.
Paulo nesta afirmação deixa claro que a salvação vem por graça de Deus, um presente, e esta graça, a salvação, nos vem por outro presente, a Fé, e mesmo essa fé não vem de nós mesmos, não é uma convicção vinda de nossas decisões, mas um dom de Deus. Por fim Paulo explica que não é por boas obras que somos salvos, para que ninguém se glorie, mas que somos criados para que façamos boas obras, ou seja, as boas obras que um cristão pratica são consequência desta salvação, não a causa dela.
Voltando ao texto de João, pode parecer a princípio que o texto é obscuro na explicação, isto porque como o próprio texto diz, o Espírito Santo age de formas que não podemos entender. Mas o fato é que sem esse presente de Deus, o Novo Nascimento pelo Espírito Santo, segundo as palavras do Mestre, não há como ser salvo.
Concluindo, acredito que a salvação se recebe não por uma aceitação (como se Cristo fosse uma mercadoria), ou por uma decisão pessoal, mas por um dom de Deus, o novo nascimento, que acaba nos dando uma nova natureza. Se alguém estiver em dúvida, é só perguntar. Voltaremos ao assunto. Deus abençoe a todos.